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Caló bico!

Com a crise que anda por aí devíamos seriamente considerar esta sugestão de Ajahn Brahm, um monje budista inglês que viveu na Tailândia muitos anos e ensina desde 1983 na Austrália. Num dos seus livros, Opening the door of your heart, a propósito do valor do silêncio e com um nota de humor, ele escreve:

Surpreende-me que falar ainda seja gratuito nas nossas modernas economias de mercado. Deve ser apenas uma questão de tempo até algum governo mais apertado pelo défice orçamental considere as palavras como um luxo e lhes aplique uma taxa.

Pensando melhor, até talvez não seja má ideia. O silêncio voltava a ser de ouro. As linhas telefónicas deixavam de estar ocupadas por adolescentes e as filas nos supermercados avançavam mais depressa. Os casamentos duravam mais pois os jovens casais não se podiam dar ao luxo de discutir. (…)

A carga fiscal iria assim dos trabalhadores para os faladores e, claro, os mais importantes contribuintes neste novo sistema fiscal seriam os próprios políticos. Quanto mais discutissem no parlamento, mais dinheiro entrava nos cofres do Estado para construir escolas e hospitais. Mas que pensamento reconfortante!

Ninguém quer passar esta proposta ao nosso novo Primeiro Ministro? 😉

This Post Has 3 Comments

  1. Francisco Teixeira

    Não concordo, tesering, a palavra é um bem absoluto da democracia e da identidade. Sem palavra sobrevém um vazio de aniquilação. De si, dos outros e da relação. Até considero estas ideias um pouco perigosas.

    1. tsering

      A palavra é um bem, sem dúvida. Mas na nossa sociedade também se abusa dela e temos de reconhecer que muito do que se diz era perfeitamente dispensável. Mais, muito do que se diz é mesmo pernicioso, falso e enganoso. Falar pouco é uma virtude hoje um pouco desconhecida, pois vivemos numa sociedade muito tagarela em que o silêncio incomoda. Como é óbvio esta citação de Ajahn Brahm é uma brincadeira acerca do valor do silêncio. Não se trata de uma qualquer ideologia destinada a calar as pessoas para as impedir de se exprimirem. Não chega a ser uma ideia: é apenas para sorrir. 🙂

  2. Joana Almiro

    Boa tarde Tsering!

    Achei deliciosa e muito oportuna a citação de Ajahn Brahm! Partilho totalmente da mesma e sinto que muita vezes no dia-a-dia há dificuldade de haver um pouco mais de silêncio. É bastante usual falar-se e não se dizer nada…Habituámo-nos a articular palavras vazias de conteúdo sem haver tempo de verdadeira reflexão e ponderação. É o atropelo…é o caos, a superficialidade…
    Obrigada pelo “caló bico”! Dá que pensar…

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