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Meditar sobre a impermanência

Muita gente acha que meditar sobre a impermanência é uma forma doentia de “matutar” sobre coisas desagradáveis e que o melhor mesmo é tentar esquecer que existem. O Budismo não partilha esse ponto de vista.

Andava há algum tempo a tentar encontrar uma forma de explicar a diferença entre meditar sobre a impermanência e “ruminar” pensamentos negros. E no outro dia, de repente, veio-me um exemplo.

Meditar sobre a impermanência serve para eu integrar essa informação no meu “sistema operativo”. Tal como, por exemplo, tenho integrada a informação de que há horas de ponta e que, a essas horas, levo muito mais tempo a atravessar a cidade. Não preciso ficar em casa a matutar no assunto, ou pensar nisso com angústia o dia inteiro. Mas é muito útil integrar essa informação.

Assim, quando me deparo com alguma fila, olho para o relógio e digo: “Ah pois, é hora de ponta” e não fico tão surpresa, tão irritada, tão impaciente. Por outro lado, tento sair com mais tempo de antecedência, para precaver os minutos adicionais que vou perder nas filas, ou modifico o itinerário de forma a evitar os trajetos mais problemáticos. Em resumo, tomo providências para minimizar o impacto.

O objetivo de meditarmos sobre a impermanência é semelhante. Basta que essa informação faça parte das coisas com que sabemos que temos de contar, não precisamos de pensar nelas com angústia a toda a hora. É uma informação útil, como muitas outras, e o seu conhecimento ajuda-nos a fazer as escolhas mais acertadas e a determinar com maior rigor o nosso trajeto de vida. E depois… quando as coisas mudam (e acredite que o farão…), a surpresa e o choque não são tão grandes.

This Post Has 2 Comments

  1. isabel rodrigues

    Tsering,
    Também me recordo de caminhar sobre as folhas secas de outono em Paris. Era mais jovem, angustiada com os dramas existenciais próprios da idade, e muitas das vezes tudo ia no sentido contrário do que eu queria. Mas no meu interior, nem sei como explicar, um regozijo. Acho que sentia nessas alturas o corpo e a mente unificados. Era a via que me levava. Ainda hoje sei onde encontrar esse tesouro. Só o perco quando não respeito o sono. Obrigada, o teu site é lindo.
    Isabel

  2. wilma

    Prazer foi descobri-la hj…Impermanência!concorda? Obrigada.Que num futuro próximo possa encontra-la pessoalmente.Wilma,do Brasil.

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