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A força do altruísmo

Num mundo em que o individualismo tem ganho terreno ano após ano, tudo que nos nos liga uns aos outros tem desaparecido. Já sem falar do modo de vida tribal – que foi o nosso durante milhões de anos – e onde a cooperação era fundamental para a sobrevivência, tínhamos, no nosso passado recente, a comunidade do bairro, da aldeia, ou mesmo da pequena vila onde as pessoas se conheciam e onde, em muitos casos, prevalecia a troca de serviços ou de “favores”.

A consciência de pertencer a uma nação, a uma classe social, a um clã ou família sobrepunha-se, muitas vezes, ao interesse pessoal no momento de realizar certas escolhas. Reconheço que o interesse ou a validade desse sentimento de pertença pode ser discutível e que valores como o patriotismo ou o partidarismo social ou religioso podem fomentar a segregação, a intolerância, a injustiça e a guerra. Por outro lado, inseriam os seres humanos em grupos e de uniam-nos em torno de algo que ultrapassava o interesse individual e mesmo, às vezes, o interesse do próprio grupo.

Com a evolução da vida moderna muitos desses valores foram postos a nu. Olhámos para eles com um certo cinismo, vimos o seu lado negativo e os excessos a que conduziam e deitámos fora a pátria, a classe social e a família. O desenvolvimento urbano e o crescimento económico introduziram grandes mudanças na sociedade e no estilo de vida que nos separaram ainda mais uns dos outros. O conforto e a segurança da vida moderna, por oposição à nossa frágil situação na selva africana onde nascemos, dá-nos a falsa impressão de já não precisarmos uns dos outros e o dinheiro corrompeu as nossas relações de entreajuda. Hoje em dia não trocamos favores, compramos serviços.

O problema é que, ao ficarmos sozinhos, sem contas a prestar a ninguém, ficamos também à mercê das nossas emoções e dos seus caprichos e privados de uma das nossas maiores forças – o altruísmo. Já repararam no que o ser humano mais comum pode fazer pelos filhos, pela família ou por uma ideologia? Coisas que decerto nunca terá a força de fazer por si mesmo!

Talvez isto não seja visível nas situações de todos os dias porque aí é o comodismo que impera, mas uma vez ultrapassado, como acontece em situações extremas, as coisas são muito diferentes. É nessas ocasiões que descobrimos a força colossal do pensamento altruísta. É quando pensamos que não temos forças para dar mais um passo que o pensamento dos outros nos dá o alento para nos erguermos e irmos até ao fim. Isto é verdade para um soldado, para um pai de família ou para qualquer pessoa comum, desde que se sinta responsável por alguém.

This Post Has One Comment

  1. Milai

    Novamente Yvan Amar “Não esperemos que os outros nos amem para começar amá-los. Se quero ver uma mudança, é preciso que eu seja digno da mudança que desejo.”

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