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Aceitar o que é

Há pessoas que andam pela vida sempre contrariadas. Se faz sol, queixam-se do calor; se chove, queixam-se da chuva. Detestam o frio, odeiam o calor, parece às vezes que a única coisa de que gostam mesmo é de se queixarem.

Para além de ser um hábito deplorável – que cansa e aborrece toda a gente – é também o sinal da presença forte do ego. Nunca estar de acordo com nada, demarcar-se de tudo e queixar-se sem cessar é, para ele, uma forma de dar ares da sua graça.

Aceitar as coisas como elas são é das coisas mais difíceis que há. Porque o ego tem ideias sobre tudo, critérios sobre a forma como tudo devia correr, como toda a gente devia comportar-se. Já repararam como, muitas vezes, uma boa parte do nosso descontentamento vem das ideias feitas que temos sobre as coisas e da nossa recusa em aceitar o que é?

Aceitar o que é não significa necessariamente – como o ego nos leva a crer – pactuar com coisas erradas, impróprias ou imorais. Nem significa ficar de braços cruzados e demitir-se de viver. Mas, por outro lado, de que nos adianta, por exemplo, não aceitar a morte de alguém? Ou uma separação? Ou outra coisa qualquer que já aconteceu? Podemos ficar anos a recusar, buscando mil e um argumentos pelos quais o que aconteceu não devia ter acontecido. Mas isso apenas nos mantém numa luta que, de toda a forma está perdida pois a vida, infelizmente, não tem botão de rewind.

Aceitar é simplesmente render-nos à evidência de que, por muito errado, inoportuno ou doloroso que algo seja, se aconteceu, aconteceu. E a partir de aí, tomar as providências que nos pareçam adequadas para remediar a situação, abrir mão, passar à frente. Porque se a vida não tem botão de rewind, tem certamente um botão forward. A escolha é nossa.

This Post Has 2 Comments

  1. Milai

    olá Tséring,
    Transcrevo aqui uma frase de Yvan Amar _ “quantos de nós despertaram face ao destino, passando de vítimas da sua sorte ao estado de discípulos do seu destino”. E porque servimos um destino, então servimos uma história que vai para além da nossa nascença e da nossa morte, e então podemos viver gratuitamente uma aventura recheada de provas, e destinada a fazer-nos crescer…

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