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O amor é compreensão

Quando as pessoas falam de amor, referem-se habitualmente ao que existe entre pais e filhos, marido e mulher, membros de uma mesma família, casta ou país. Como a natureza de um tal amor depende das noções de “eu” e de “meu”, esse sentimento permanece ao nível do apego e da discriminação.

As pessoas querem amar apenas os seus pais, o seu esposo, os seus filhos, os seus netos, os seus avós, os membros da sua família ou os seus compatriotas. Mantendo-se prisioneiros do seu apego, preocupam-se com os acidentes que podem atingir os seus entes queridos, antes ainda de eles se produzirem. Quando tais catástrofes se produzem, sofrem terrivelmente.

O amor baseado na discriminação gera preconceitos. As pessoas tornam-se então indiferentes, ou mesmo hostis, aos que ficam de fora do seu próprio círculo amoroso. O apego e a discriminação são causadores de sofrimento para nós próprios e para os outros.

Majestade, o amor a que todos os seres aspiram sinceramente é feito de bondade e de compaixão. Maitri é o amor que pode trazer felicidade aos outros. Karuna é o que faz desaparecer o sofrimento dos outros. Maitri e Karuna não pedem nada em troca. O campo de acção da bondade e da compaixão não se limita aos pais, à esposa, aos filhos, aos membros da família, ou da mesma casta ou aos compatriotas. Estende-se a todas as pessoas e a todos os seres. Em Maitri e Karuna, não há discriminação, nem “eu” e “não-eu”. E sem discriminação não há apego. Maitri e Karuna dão felicidade, aliviam o sofrimento e não causam infelicidade nem desespero. Sem eles, a vida seria desprovida de sentido.

Buda

This Post Has 4 Comments

  1. Lam Zang

    O apego não nos trás felicidade, mas destrói a paz de espírito. Na situação de apego exageramos as qualidades das pessoas e as expectativas são irreais. Somos iludidos pela ideia de que as pessoas têm de nos dar felicidade duradoura. O ciúme surge. A melhor maneira de lidar, é com bondade: desejo genuíno de ajudar os outros sem expectativas. Para isso, há que escutar a esperança que está nos outros.

  2. Sebastiao Graciano

    Tsering, boa noite,

    Sou brasileiro, eu gostaria de agradecer o seu livro A arte da Vida,
    Maravilhoso os ensinamentos, uma verdadeira dádiva.

    muito obrigado

    1. tsering

      Obrigada Sebastião. Abraço do outro lado do Oceano. 🙂

  3. Luis dos Santos

    Olá Tsering continue a publicar tais pérolas.

    É incrível como a noção do verdadeiro amor é transversal em diferentes tradições religiosas:

    “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.

    Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.
    (…)
    Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
    E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
    Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”
    – Mateus 5, 43-48

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