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O que é importante?

Renúncia é uma palavra que ninguém gosta de ouvir. Cheira assim a coisa fora de moda, a convento, a celibato forçado… Mesmo no contexto budista, sugere a ideia de abandonar tudo, deixar para trás prazeres, amigos, bens e ir enfiar-se num sítio solitário, viver com o mínimo, privar-se de tudo. E para quê?

Acho que tudo o que cheire a privação soa mal. Porque continuamos a esperar que a felicidade nos venha das chamadas “coisas boas da vida”. Porque apesar de tudo, muitos de nós continuam a pensar que, se ganhassem a lotaria, resolveriam a maior parte dos seus problemas e ficariam mais felizes.

Mas a verdade é que dinheiro, posição social, divertimentos e bens materiais têm um prazo de validade muito curto. Não digo que não tenham uma função, que não sejam úteis. Sem dinheiro não se tem de comer, não tem que vestir, não se tem um tecto por cima da cabeça. Quem disse que o dinheiro não é preciso?

Mas, embora a nossa sociedade pareça admirar e venerar o dinheiro, isso é apenas uma aparência. Pode parecer estranho mas, na realidade, aquilo a que verdadeiramente dá valor continua a ser a grandeza de alma.

Quando elogiamos alguém, porventura dizemos “aquilo que ele tem de especial é ser rico”? Podemos dizer muitas coisas de alguém que admiramos mas essa é, de certeza, uma que não diremos. Ninguém é admirável por ser meramente rico. Quanto muito por aquilo que faz com o dinheiro que tem.

Por isso, talvez o mais importante não seja ter mais e mais, mas respirar fundo e aprender a apreciar o que a vida nos dá, as coisas grandes mas também as pequenas, aquelas que normalmente fazem parte da mobília. O cheiro do café da manhã. A luz do sol por entre as árvores. As nuvens finas que correm no céu. O sabor do pão com manteiga.

Quando chegar ao final da vida de que se vai lembrar? Do sorriso que viu na cara de alguém a quem deu alguma felicidade ou de quanto era o seu  ordenado em 1993?

Não passe a sua vida a correr fazendo apenas coisas de curto prazo. Não adie, dia após dia, o mais importante. Não se esqueça de viver!

This Post Has One Comment

  1. Ana

    É bom “relembrar” o que tendencialmente “esquecemos”. Continue a escrever, Tsering, é muito gratificante e benéfico ler os seus posts 🙂

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