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O Sr. Ego – T1 ep.5 – O meu pior inamigo

O melhor/pior inamigo do Sr. Ego é ele próprio e os problemas de relacionamento começam em casa. O ego tem consigo próprio uma relação de amor/ódio tanto mais intensa quanto mais for “gordinho”. Assim, amar-se ou odiar-se são facetas opostas da mesma fixação egóica.

Construímos o ego a partir de representações mentais, de identificações e demarcações (já vimos tudo isto), e certos egos são mais espessos que outros e também mais “perversos”. Perversos no sentido em que podem (e todos o fazemos em graus maiores ou menores) fixar-se sobre experiências dolorosas, tornando-as parte da sua identidade. O ego pode identificar-se com o papel de “vítima”, por exemplo, e inconscientemente procurar situações dolorosas para continuar a existir. Por mais estranho que pareça, a dificuldade em largar seja o que for tem a ver com este estranho sentido de sobrevivência egóico: “se deixar de ter/ser isto ou aquilo (bom ou mau), já não sei quem sou”.

A prova de que os nossos egos andam obesos são os problemas de auto-estima. Este tipo de problemas, completamente desconhecidos dos ensinamentos budistas clássicos, resultam de relações complicadas do ego consigo próprio. Demasiada expectativa em relação às suas capacidades (ou aparência física) resultam num sentimento de desilusão e despeito. A fraca auto-estima é um sentimento de orgulho ferido.

O Sr. Ego de tudo faz lenha para se queimar. Quero eu dizer que, quanto mais atenção lhe for dada, mais ele cresce e quanto mais ele cresce mais nos faz doer. Poderá chegar um momento em que se torne tão susceptível que não só não consegue lidar com ninguém, como já nem consigo próprio.

Por isso fique atento. Cientistas americanos chegaram à conclusão que as pessoas que mais usam as palavras “eu” e “meu” (I e my em inglês) – como por exemplo na frase: “I like my Iphone”* – morrem mais frequentemente de ataques cardíacos.

Observe-se: adora falar de si próprio? Dos seus feitos e capacidades? De todas as vezes que teve razão e os outros estavam errados? De como foi notado por alguém importante? De como é bom e desinteressado? De como ajudou tanta gente? Ou, na versão -1: de todo o mal que lhe foi feito? De toda a ingratidão de que foi alvo? Das injustiças de que foi vítima? De como é um incompreendido?

Se respondeu positivamente a alguma destas perguntas, parabéns: tem um ego! Não desespere, o ego não se perde, vai-se perdendo… 🙂

(continua…)

*Eu gosto do meu euphone…

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