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O Sr. Ego T1 ep.6 – Malmequer, bem-me-quer…

Amor é uma palavra enorme: cabem lá dentro sentimentos diversos e contraditórios que parecem excluir-se mutuamente. Por amor dá-se a vida, salva-se, acarinha-se, protege-se e (alegadamente) também por amor mata-se, condena-se, rejeita-se e ataca-se. Parece até – e vejam a contradição! – que mais depressa queremos bem a quem mal conhecemos do que àqueles que nos estão ligados por laços mais estreitos. Porque será?

Fazer bem a desconhecidos é, mais provavelmente, um acto desinteressado. Alguém que não voltamos a ver na vida não nos dá feedback e, do ponto de vista do ego, não é um bom investimento. É claro que o ego pode retirar alguma compensação (ou não fosse ele um hábil estratega) de ter de si uma imagem de “bom samaritano”, mas em termos emocionais, o que dá luta mesmo, aquilo de que o ego se alimenta, é de outra coisa.

No sentimento que nutrimos uns pelos outros há sempre duas partes: uma, o verdadeiro Amor (que por sinal apelidamos de “incondicional” ou também “desinteressado”) que é o facto de querer bem “no strings attached”, sem expectativas, sem remuneração, sem dependência; e a outra, o apego, uma estratégia egóica para expandir e reforçar a nossa identidade através dos outros.

O primeiro sentimento é a base de tudo o que de melhor existe no coração dos homens e vêmo-lo todos os dias, tanto em pequenas atenções e gestos discretos, quase inconscientes, quanto em atitudes grandiosas e de grande alcance. Vem de um sítio genuíno, dentro de nós, que o Budismo chama Natureza de Buda ou Estado Natural. Um sítio que É.

O segundo é a base de tanto sofrimento desnecessário, de guerras, mortes e suplícios, todos mais horrendos uns do que os outros. Também o vemos quotidianamente, tanto em atitudes aberrantes e internacionais, como na forma por vezes odiosa com que falamos e agimos com aqueles que nos são mais próximos. Vem de um sentimento de pânico e de confusão, quando o ego dispara sobre tudo o que mexe porque entrou em “modo de sobrevivência”.

Por isso acho que o budismo tem razão quando diz que o Estado Natural é como o céu e o ego como as nuvens. Um É; o outro apenas passa. Só que enquanto fica… 🙁

(continua…)

This Post Has One Comment

  1. Isabel Rodrigues

    Olá Tsering,
    Provavelmente não conseguimos sair das relações em espelho marcadas pela expectativa, mas o encontro entre pessoas pode ser um estado de abertura para a emoção e espiritualidade. Pode até ser vivido como um estado de graça, um renascimento. Uma libertação de antigos padrões de medo e conformismo. No amor não devemos limitar-nos mas sim expandir-nos. E se tudo isso acaba numa sensações de indiferença ou de vazio rancoroso é porque morreu nos dois o prazer da descoberta.

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