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O Sr. Ego T1 ep.9 – A beleza do não-ego

Encontrar um não-ego é coisa rara e preciosa. Alguém em quem a Natureza de Buda está infinitamente mais presente do que o ego é quase um encontro de 3º grau neste mundo louco de egos andantes. Mas quão refrescante!

A energia do não-ego é formidável, resplandecente e gloriosa. A sua energia é semelhante – dizem os textos – ao rugir do leão das neves que deixa os outros animais (entenda-se os egos) paralisados pelo medo. Nada a detém, nada a pode atingir, ela que é dura como o diamante e terna como o lótus.

Quando, depois de muito andar, pelas ruelas malcheirosas do samsara, um dia, quase que por milagre, chegamos à planície luminosa da Realidade e encontramos lá, feito homem ou mulher, o que de mais digno e são existe em todos nós, é uma revelação sem par.

Nenhuma alegria ou sucesso mundano se podem comparar à visão, mesmo que ainda imprecisa, de uma tal transparência e de uma tal ternura. A partir desse instante, nunca mais nada fica igual. A nossa Natureza de Buda desperta de vez e não cessa mais de devorar de dentro o ego que, circunstancialmente, nos habita.

Ai, se pudéssemos ver o mundo como ele realmente é! Instantaneamente todos os nossos medos e incertezas, todos os nossos tormentos e ódios, todas as nossas dependências desapareceriam como fumo desvanecendo-se no ar. E quem disse que não era possível?

Por isso, estou certa de que há apenas uma revolução a fazer: uma revolução interna, a 180º. Despir esta fatiota coçada e medíocre para deixar respirar o Buda que pacientemente espera dentro de cada um de nós.

Quem alinha?

Fim da temporada 1…

This Post Has 8 Comments

  1. J. Mendes Rosa

    Diz a Tsering no seu blog, página “ACERCA”, parágrafo 7, “é perfeitamente possível ser-se budista e não se ter um mestre.”
    À muitos anos li eu um livro de uma investigadora, aliás bem conhecida na época, Alexandra David Neel, que conseguiu uma entrevista com SS o 13º Dalai Lama (coisa difícil de conseguir naquela época).
    Logo de início ela disse que era budista e logo SS o DL perguntou-lhe – quem é o teu mestre. Ela ficou aérea, pois não tinha mestre nenhum e acabou por dissertar sobre o assunto.
    Isto veio-me dar “razão” à minha “teoria” de que não devia praticar Yoga (hinduísta, era o que havia na época) sem ter um mestre que me ensinasse. Eu comecei a ler Yoga ainda com 15/16 anos. Havia uma boa colecção brasileira nessa época, mas um dos livros estava proibida a exportação para Portugal, só depois de 1974 é que o consegui ler. Entretanto na tropa conheci um enfermeiro que praticava os exercícios dessa colecção, guiando-se apenas pelas instruções lá contidas. Fazia umas “proezas” ??? colar-se ao tecto, marinhando pelas paredes do corredor (claro que não fazia isto numa sala, com as paredes demasiadas afastadas).
    Eu pessoalmente não fiquei convencido de que aquela era a finalidade do Yoga, (só em 1987 é que percebi que havia Yoga budista – Rua do Salitre). Quando eu li Milarepa mais convencido fiquei da inutilidade daquelas proezas. Dizia Milarepa “os Bramas da Índia meditam toda a vida e que utilidade tem isso?”.
    A minha questão é que, não entendo onde é que está a incongruência. (budismo com mestre e sem mestre)

    1. tsering

      Olá José, é possível ser-se budista sem mestre, ou seja reger-se pelos princípios budistas, tentar meditar ou fazer outras práticas simples sem ter estabelecido com um mestre uma relação próxima de mestre e discípulo. É natural que o XIIIº Dalai Lama tenha perguntado à Alexandra David Neel quem era o mestre dela porque no Budismo Vajrayana, o praticado no TIbete, as práticas tântricas não fazem sentido sem um mestre. Mas desenvolver a compaixão, a empatia, o altruísmo, praticar shamata (a meditação que “estabiliza o espírito”) pode ser feito com algumas instruções simples, até por intermédio de um livro.
      E tudo isto pode ser feito sem que necessariamente se trate de “truques de circo”. Obviamente, a partir de um certo momento, é útil e desejável encontrar um mestre, ou pelo menos um instrutor, que nos possa acompanhar e abrir as portas do Dharma. As relações como a de Milarepa com Marpa são excepcionais e não podemos ficar à espera de necessariamente encontrarmos algo assim. O contexto, a época, e até as nossas qualidades são muito diferentes das de Milarepa. Quem aceitaria hoje em dia viver o que Milarepa viveu de forma natural e sem “fanatismo”? No entanto, isso não significa que não haja nada a fazer e que tenhamos de esperar “sentados” que apareça o mestre. Temos de seguir as instruções que conhecemos, sobretudo com a certeza que vêm de fontes credíveis e começar por estabelecer conexões com sítios onde os mestres estão e pessoas que nos podem dar acesso a eles.
      Abraço

      1. João Madureira

        Na Avatamsaka Sutra, livro 38, diz-se que os boddhisattvas sabem que todas as coisas são um tesouro de práticas virtuosas, e de pensamento certo, e de iluminação do controlo mental, etc.

        Isto indica que a observação directa da natureza pode ser altamente iluminante, à pessoa assim predisposta. Nesse caso os nossos professores serão as moscas e as nuvens e as folhas.

        No entanto a Avatamsaka sutra, que pode ser entendida como um manual do bodhisattva, no seu livro final, Gandavyuha, que é uma recapitulação de tudo o que foi dito anteriormente, refere que o “aprendiz” Sudhana vai procurar 53 professores ou “amigos do espírito”, que o guiam por todas as práticas dos bodhisattvas.

        Assim, a presença de professores versados no espírito também pode ser benéfica. Se não tivermos uma inteligência de tamanho galáctico, só poderemos chegar a certas ideias se estas nos forem comunicadas, por pessoas directamente, ou por livros escritos por pessoas. Neste caso os nossos mestres são pessoas ou objectos literários.

        Mas claro que os mestres “originais”, o que quer que isso signifique, também formaram os seus pensamentos através da observação directa do universo natural, que, a meu ver nunca deve ser abandonada.

        Assim, os nossos professores últimos são sempre as moscas, as nuvens, e as folhas, para além dos nossos amigos.

        1. João Madureira

          Como disse o Isaac Newton: “Se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”. E como disse mais ou menos a mesma pessoa: “Pensando, noite e dia”.

  2. wilma

    Obrigada por mais uma orientação.
    A tempo:o que entender por fim da temporada 1?
    Explico-me:sou do Brasil…

    1. tsering

      Olá Wilma, “temporada 1” é uma brincadeira referente às séries americanas cujos episódios estão divididos em “temporadas” – grupos de episódios. O fim da temporada não significa que a série acabe 🙂 Ainda há muito para dizer sobre o Sr. Ego.

  3. wilma

    Olá Tsering!:):)

    Obrigada pela resposta.Até a próxima.
    Uma boa semana.

  4. José Mendes Rosa

    Olá Tsering
    Muito obrigado pela resposta. Até uma próxima oportunidade.
    Um abraço
    J. Rosa

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