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Sr. Ego – T2 ep.3 – A hora da fama

Hoje em dia é-se famoso não necessariamente pelas melhores razões. Os participantes dos concursos e reality-shows televisivos, por exemplo, tornam-se heróis de um dia para o outro apenas por aceitarem expor-se aos olhares dos outros, enquanto emagrecem à força ou aprendem a mugir vacas nalguma ilha longínqua.

Os “famosos” de mais longa duração, são muitas vezes apenas pessoas com dinheiro (ou pelintras com a aparência de ricos), com visibilidade ou com uma imagem social excêntrica que, por aparecerem nos média, se tornam modelos ou objectos de fascínio dos outros egos. Assim, se forem vistos em público num restaurante, por exemplo, todos os que lá comeram nesse dia, ficam com uma melhor impressão de si próprios: “hoje comi praticamente na mesa de fulano de tal”…

Sejamos sinceros: das coisas que o Sr. Ego mais ambiciona é ser famoso. A seguir a isso é ser amigo de um famoso. Em último recurso, pode ser fã de um famoso e, nesse caso, depois de ler tudo o que há para ler sobre ele, o Sr. Ego tem a impressão que entrou na sua privacidade, que sabe tudo sobre os seus hábitos, carácter e gostos. E assim sente-se mais próximo dele, logo mais importante. É o que se chama viver por procuração. Suponho que seja o que faz vender revistas e jornais de fofocas aos milhares.

Se o seu ego tiver a sorte de ter um “momento de glória”, espero sinceramente que tenha sido de curta duração. Não, não é por ser amiga da onça mas porque é difícil lidar com a fama e o sucesso e muito pouca gente sabe fazê-lo. É que ser adulado por milhares de pessoas vicia e dá ao ego um alimento vitaminado com o qual ele se torna insuportável e se convence de que tudo lhe é permitido. Geralmente isto acaba muito mal porque quanto mais ele incha com a atenção que lhe é dada, mais vai “ressacar” assim que ela esmorecer.

Para paliar a estes inconvenientes, não se esqueça de que os momentos de glória são passageiros. Especialmente hoje em dia, em que as notícias têm um tempo de validade muito curto, pode-se ser herói nacional num dia e completamente anónimo  no dia seguinte.

Geralmente até não precisamos de fazer nada porque a vida encarrega-se de nos  retirar o tapete debaixo dos pés. Ainda bem! É mais perigoso ter sucesso e pensar que vai durar sempre.

Assim, se apesar das advertências sobre a impermanência da glória, der por si a sentir-se importante, ria-se abundantemente para esconjurar o mal.

This Post Has One Comment

  1. Isabel Rodrigues

    Privar com gente importante retira-nos liberdade. Muitas das vezes prefiro nao conhecer.

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