You are currently viewing Sr. Ego T2 ep.4 – Mea culpa… mea culpa

Sr. Ego T2 ep.4 – Mea culpa… mea culpa

A culpabilidade exagerada, quase patológica, é uma das grandes pragas do Ocidente. Saber que o que fazemos “é mal”, no sentido em que pode magoar ou prejudicar alguém, é normal e desejável. Ter uma noção do que é justo e positivo e do que é injusto e nefasto é indispensável para nos orientarmos na vida. Mas, por vezes, isso vai longe demais.

A culpa com que nós, ocidentais, nos martirizamos é uma espécie de ressentimento para connosco, uma incapacidade de nos perdoarmos, uma intolerância para com os nossos próprios erros, no fim de contas um apego ao ego. A imagem que temos de nós próprios e da nossa superioridade fica manchada pelos actos condenáveis que fizemos e, por isso, não nos conseguimos perdoar.

Abrir mão do que possamos ter feito só pode acontecer se deixarmos de nos identificar com aquele que o fez e, muitas vezes, é isso que não conseguimos largar. Porque mesmo anos e anos depois, continuamos a identificar-nos com a pessoa que cometeu esses actos.

Nos piores casos, a própria culpa e os actos que estão na sua origem, podem tornar-se no ponto fulcral da nossa identificação, criando assim um ego atormentado e infeliz, que, sob pretexto de ter sido má pessoa num passado distante, continua a infernizar a sua vida e a dos outros.

Temos de aceitar que, tendo um ego, todos somos susceptíveis de cometer erros e que não há razão para que possamos escapar à regra. Além disso, a pessoa que éramos quando cometemos o que quer que seja que nos atormenta, já não existe a não ser na nossa vontade de continuarmos a identificar-nos com ela.

Essa pessoa, por ignorância ou inexperiência, muito frequentemente cega pelo sofrimento, agiu de forma diferente do que teríamos feito hoje. Fez, provavelmente o melhor que conseguiu e, mesmo que tenha sido um erro, ficar para sempre a lamentar o sucedido não altera o rumo das coisas. Não podemos refazer o que já foi feito. Temos de abrir mão e deixar que a vida continue.

Se tiver algo de que se arrepende, reconheça o seu erro, decida com sinceridade não voltar a cometê-lo, peça perdão aos interessados – se for possível – e vire a página. Aceite que, por muito que queira ser impecável ou perfeito, é apenas um ser humano, susceptível de cometer erros. Liberte-se da culpa e dê a si próprio (e aos outros) a oportunidade de se tornar uma pessoa melhor.

This Post Has 2 Comments

  1. Luisa Barbosa

    olá
    há anos em oeiras assisti a uma palestra que julgo ter sido proferida por si. mais tarde comprei o livro ” a arte da vida”. hoje descobri por acaso este blogue. onde poderei voltar a ouvi-la falar? ouvir por vezes é mais útil que ler.
    obrigada.
    Luísa

  2. wilma

    Pura verdade!Boa semana Tsering!Abraços.

Deixe uma resposta