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Sr. Ego T2 ep.6 – A tragédia humana

Quer seja no domínio familiar ou profissional, todos os egos têm a tentação de manipular os outros, usar a força, o dinheiro, a influência, a intriga ou – last but not least – a chantagem emocional para fazer com que se verguem à nossa vontade, dancem ao ritmo da nossa música e preencham o nosso vazio com a sua atenção e energia.

Muito do “amor” que alguns pais dizem ter pelos filhos tresanda a manipulação e chantagem e, a pretexto de todo o bem que lhes querem, tentam impor-lhes uma vida emprestada. Na verdade, consideram-nos como extensões do seu ego e incumbem-nos de ser aquilo que eles não puderam (ou não quiseram) ser.

O ego manipulador, se não tiver autoridade para manipular os outros pela força, faz da chantagem emocional a sua arma de eleição. Pode parecer que é a arma dos fracos mas a verdade é que, ao fazer-se de vítima, consegue que os outros façam exactamente o que ele quer.

A chantagem emocional vive de fazer com que os outros se sintam mal mas, para isso, o ego tem de sujeitar-se a sofrer ou, pelo menos, parecer estar a sofrer. À custa da doença ou da falta de apetite, por exemplo, muitas famílias andam num pé só à volta do(a) manipulador(a) e o que quer que seja que lhe acontece – se dormiu, se fez chichi, se comeu duas torradas ou uma só… – é assunto para horas de conversa.

Os manipuladores estão frequentemente rodeados de pessoas que, por cegueira, por fraqueza ou por bondade se deixam controlar. Nas relações parentais, muitos manipuladores treinam os filhos de pequeninos, incutindo-lhes a insegurança necessária para que nunca ousem libertar-se. Parece cruel – e é – mas não é totalmente intencional.

O ego é matreiro e estratega, maquiavélico até mas, vivendo da incompreensão da realidade, normalmente não faz as coisas para fazer mal aos outros mas para se fazer bem a si próprio. Claro que lhe falta a verdadeira inteligência para entender as coisas como elas são. Por isso, na sua cegueira fundamental, cria apenas sofrimento para si e para os outros, sem benefício para ninguém.

O domínio das relações egóicas é realmente confrangedor. E estranhamente, se não tivermos algum tipo de “despertar”, agindo como autómatos pré-programados, acabamos por reproduzir as atitudes de que fomos vítimas. E assim se perpetua, de geração em geração e em plena cegueira e inconsciência, a tragédia humana. Balha-nos Deus!

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