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Sr. Ego T3 ep.1 – O coração fala mais alto

Ouve-se cada vez mais falar de neurociências e das novas descobertas a nível dos efeitos quase milagrosos da meditação. Imagens de monges e lamas budistas (por exemplo, Matthieu Ricard e Mingyur Rinpoche) em meditação com as cabeças cobertas de censores já nos são familiares.

A neuro plasticidade do cérebro e a possibilidade de alterar as conexões neuronais expressam-se no título de uma das conferências de Matthieu Ricard “Mude a mente, mude o cérebro”. Tudo isso é fascinante e tem confirmado os ensinamentos e as técnicas ancestrais do Budismo.

No entanto, enquanto todos continuam a extasiar-se com o cérebro, as mais recentes pesquisas científicas demonstram que a consciência não está apenas ligada ao cérebro mas surge da interação entre o cérebro e o resto do corpo.Nas tradições espirituais mais antigas, o grande centro da consciência não era o cérebro mas sim o coração. Pensámos durante muito tempo que se tratava apenas de um sinal manifesto de ignorância e obscurantismo mas tal julgamento está a ser destronado. À luz de novas descobertas, os cientistas atuais começam a reconhecer que o coração está longe de ser apenas uma “bomba” de sangue.

Uma disciplina novinha em folha, a neurocardiologia, revela-nos que o coração é um sofisticado centro de receção e processamento de informação e possui mesmo um sistema nervoso próprio (já apelidado de “cérebro do coração”). O sistema nervoso cardíaco possui cerca de 40.000 neurónios e permite-lhe aprender, recordar e, mesmo, tomar decisões de forma independente do córtex cerebral.
Embora exista uma comunicação entre o cérebro e o coração que vai nos dois sentidos, os canais de comunicação levando informação do coração ao cérebro são em maior número do que os que veiculam informação no sentido inverso. Este facto pode explicar o enorme poder das emoções e justificar a expressão popular “o coração falou mais alto” quando o poder de uma emoção suplanta a razão.
O coração gera o maior e mais poderoso campo electromagnético do corpo que é sentido por cada célula. É cerca de 60 vezes maior e 5000 vezes mais poderoso do que o do cérebro e pode ser detetado a mais de metro e meio à volta do corpo.

De acordo com o HeartMath Institut, o campo eletromagnético do coração comunica ao corpo informações sobre o estado emocional da pessoa. Os padrões da batida do coração mudam, consoante as emoções sentidas: emoções negativas tais como cólera ou frustração provocam ritmos cardíacos incoerentes e, ao inverso, emoções positivais tais como o amor ou a gratidão, geram ritmos harmónicos, suaves e coerentes.

Quando as emoções positivas são sentidas de forma mais estável, produz-se então um modo de funcionamento distinto, que o HeartMath Institute chamou de “coerência psicofisiológica”. Este modo de funcionamento é caracterizado por uma interação mais harmoniosa e eficaz entre todos os sistemas fisiológicos e, a nível psicológico, por uma notável redução do pensamento discursivo e do stress, um maior equilíbrio emocional, maior claridade mental e mais intuição.

Várias experiências têm ainda revelado que o campo electromagnético do coração tem um papel importante na comunicação entre as pessoas a um nível inconsciente. As ondas cerebrais de um indivíduo podem sincronizar-se com o campo electromagnético do coração de outro, dando-lhe algum conhecimento intuitivo do seu estado emocional. Os indivíduos com ritmos cardíacos mais coerentes são mais capazes de se sincronizarem com os campos cardíacos alheios e são, por isso, muito mais sensíveis e capazes de “ler a mente dos outros” – o que é frequentemente apontado nos ensinamentos como sendo um poder específico dos mestres.
Assim, nem tudo está na cabeça meus amigos, pensemos com o coração!

Pode ver mais informação em: http://www.mindfulmuscleblog.com/heart-has-consciousness/  ou http://www.metaphysics-for-life.com/heart-intelligence.html ou ainda http://www.heartmath.org/

This Post Has 5 Comments

  1. Jorge

    Poderia, Lama Paldron, indicar fontes para ler mais sobre o assunto.

    1. Tsering

      Juntei no final do artigo alguns links para informação. Há um documento científico de 70 páginas que posso enviar. Está em inglês.

  2. Ilona Bastos

    Muito interessantes, este artigo em particular, e o blogue na sua totalidade, que de uma forma tranquila e inteligente lançam luz sobre o essencial.

  3. Yusuf

    Uma vez mais foi preciso virem os cientistas colocar o crivo da verdade.
    Caso contrário a atenção dada ao coração era mais um misticismo que alguns “esotérico-espiritualistas” associavam a rituais já de si esquisitos.
    Mas, verdade seja dita, a sabedoria, os rituais e ensinamentos atravessaram milénios sem precisarem da confirmações cientificas, nem de holofotes televisivos…
    E que assim continuem, enquanto os laboratórios se vão entretendo com estas coisas…

  4. Jorge Fernandes

    A esse propósito a obra de António Damásio é uma referência, creio. Ver, por exemplo, “O Livro da Consciência”, A. Damásio, Circulo de Leitores, 2010.

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