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Sr. Ego T3 ep.2 – Há mais vida para além do ego

Embora às vezes tenhamos a sensação de que não conseguimos escapar ao ego, a verdade é que a natureza de Buda está sempre por perto – ou não fosse ela a própria natureza do espírito quando não está poluído nem alterado.

A dificuldade, ó balha-me Deus, é que ele está quase sempre poluído, alterado e tenso.

Todos os afazeres e preocupações que preenchem a nossa vida são uma fonte de constante tensão. Andamos quase sempre enredados em problemas, planificações, projetos, dilemas e conflitos. Os mestres tibetanos mais radicais resolviam o problema cortando pela raiz com tudo isso. Viviam como eremitas, em grutas, comiam o que lhes ofereciam e chegavam a extremos de austeridade a que nenhum de nós hoje conseguiria sobreviver. Invejo o espaço que imagino teriam nas suas mentes mas seria incapaz de pagar tal preço.

Para a maioria de nós a vida é uma interminável sucessão de tarefas e problemas para resolver. Mesmo os momentos de ócio – que tanto prezamos – dão um trabalhão a planear. Ir de férias é um stress e voltar é outro.

São tantas as preocupações que o nosso espírito vai ficando cada vez mais atulhado, cada vez mais cheio de lixo e de sentimentos obscuros e negativos. Frequentemente sentimo-nos ultrapassados, aprisionados e sem espaço para respirar. E, como se tivéssemos uma panela de pressão no peito, temos de abrir de tempo a tempo a válvula e deixar escapar um suspiro, para aliviar a pressão. Quando estamos nesse estado qualquer pequena coisa é uma contrariedade e torna-se impossível lidar com o mais ínfimo problema.

Nesses momentos é imperativo reencontrar o espaço. Pode fazê-lo à beira-mar, a beira-rio, ou no alto de uma montanha, num sítio de onde aviste um horizonte longínquo, Mas esse é apenas o espaço exterior que pouco efeito terá se não se despir interiormente. Melhor será usar a técnica que se segue.

Criar espaço dentro de nós é um método muito simples, uma técnica para reencontrarmos espaço e liberdade, aliviarmos a pressão causada pelas preocupações e libertarmos tensões físicas e mentais.

Se tiver alguns minutos olhe em frente e imagine que está rodeado por espaço vazio em todas as direções. Onde quer que esteja – mesmo que seja numa cave com luz artificial – imagine apenas que está rodeado por espaço. Não há paredes, limites, prédios, absolutamente nada que o limite. Imagine-se em alto mar ou numa planície que se estende até ao horizonte, sem qualquer obstáculo. Se as preocupações teimarem em querer reaparecer, lembre-se de que todas elas dizem respeito a coisas que são 99,9999% vazias (toda a matéria é essencialmente vazia) e concentre-se de novo sobre a sensação de espaço.

Deixe o seu espírito unir-se a esse espaço e ganhar vastidão e abertura. Se for mais fácil – e se estiver numa cave sem luz será certamente mais fácil – pode fechar os olhos. Imagine este espaço imenso durante um minuto ou dois e irá começar a sentir uma abertura e uma liberdade interiores. A pressão acumulada no peito dissipa-se e os pensamentos que se atropelavam dentro de si há instantes acalmam. À medida que o espírito se abre, a sua atitude muda sem esforço para algo mais luminoso e claro. São apenas necessários alguns instantes e pode fazê-lo em qualquer lado, a qualquer momento.

This Post Has 4 Comments

  1. Micael Inês

    Obrigado Tsering. Ensinamentos profundos, com a leveza de sempre…

  2. pg

    Gostei muito. Obrigádo

  3. chance

    Tsering:
    Ainda nao nos conhecemos pessoalmente. Falámos em tempos uma x ao telefone da minha vontade em “ser budista”.. No fundo já o sou e penso nao necessitar de nenhum ritual em que me comprometa a fazer mais do que existir..
    A minha vida nos ultimos tempos tem me parecido mais densa e turbulenta e “venho” muito ao seu blog beber um pouco do que aqui se asperge com delicadeza e humor
    Tem me ajudado. nem sabe quanto, nem sei como ou porquê…é melhor assim ficar por saber e aos poucos ir sabendo cada x menos (é o que aspiro) – tenho facilidade com as palavras, possa ter facilidade com a ausência das mesmas..
    Obrigado pelas suas palavras (ainda) me são necessárias; e vamos dando passos de bebé até à felicidade sem explicações
    Obrigado, Obrigado, Obrigado (coma a Amália… lol)
    Abraço fraterno, Tiago

  4. chance

    Querida Tsering:
    Hoje pensava ter deixado um comentário ao seu pensamento e ia relê-lo , quando vi que nao deve ter ficado gravado..,.Por isso volto a tentar..
    Quero deixar expressa a minha gratidão pelo “sumo” tão fresco que tem mitigado momentos de sede, pela consequente e tranquila mensagem que me tem feito parar de olhar só o umbigo…Obrigado por este mel, por este oásis, por este “ninho”.
    Bem haja
    Abraço fraterno
    Tiago

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