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Sr. Ego T3 ep.4 – Sacuda-se (com fundo musical)

Estamos em época natalícia e onde quer que estejamos é impossível escapar-lhe. No centro comercial, no supermercado, no elevador ou mesmo na sessão de acupuntura, levamos com o “Let it snow” com fundo de chocalhos. Por isso, e para não fugir à regra, antes de continuar a ler, por favor, ponha a tocar uma música de Natal. Obrigada.

Está a ver aquele saco enorme que o Pai Natal carrega ao ombro e que tem ar de pesar uma tonelada? Muito bem, hoje queria falar-lhe do saco que a maioria de nós carrega o ano inteiro – muito desnecessariamente.

Pior ainda: ao contrário do Pai Natal, no nosso saco, não estão prendas mas sim memórias de todas as coisinhas más (e também algumas boas) que nos aconteceram desde que nos lembramos de nós e até de muito antes. Esses embrulhos bafientos, a cheirar a mofo, são a coleção privada do ego, os álbuns que ele gosta de folhear, amorosamente acariciando cada página. “Aqui era eu pequenino, ao colo da tia Marta no dia em que ela me deixou cair!”; “Aqui tinha quinze anos – foi o meu primeiro desgosto de amor”; “Aqui estava tão infeliz!” – e vai tirando para fora cada embrulho, com a lágrima ao canto do olho.

De vez em quando, e esta época pode ser propícia, ele gosta de reafirmar quem é, de contabilizar as feridas e relembrar as vitórias e definir-se através de ambas. O ego não existe sem o passado – por isso é que ele o carrega com tanto desvelo.

Este somatório de pequenas e grandes mágoas, de traições, de vinganças e de desforras, é a pauta pela qual a maioria de nós cria o seu mundo, cuidadosamente delimitando o que será pelo que foi. Que falta de imaginação!

Será melhor dizer-lhe sem rodeios: ninguém quer saber das suas lamúrias – e, se encontrar um ouvido gratuito, desengane-se: na maioria das vezes estará simplesmente à espera da sua vez de falar… Por isso é que, os que têm meios, pagam à hora a pessoas especializadas para os escutarem.

Haverá alternativa? Claro que sim! Tente lembrar-se de que é o ego que carrega o saco e que a sua natureza de Buda, luminosa e transparente não precisa dele.

Quando no Budismo, no momento de tomar Refúgio – a pequena e simples cerimónia que marca a entrada na via budista – recebemos um novo nome é para simbolizar o começo de uma nova vida, a oportunidade sacudir os velhos trapos e recomeçar de novo. No fundo é como criar um novo perfil no facebook: de início poderá não ter amigos, nem álbuns, nem posts… Mas é por pouco tempo pois um fio condutor novo irá trazer-lhe amigos diferentes e ideias originais.

Para trás ficam o cheiro a mofo, as velhas quezílias e todos os embrulhos cansados que passaram anos a chocalhar dentro do saco. Vá lá, erga-se corajosamente agora mesmo e enfrente a liberdade luminosa sem passado!

Sacuda-se, ó balha-me Deus!

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