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Sr. Ego T3 – ep.5 – Vão-se os anéis fiquem os dedos….

Ora então bom ano a todos e nada de pânico com as notícias de crise que a comunicação tem um perverso prazer em nos transmitir. Não digo que não haja pessoas em dificuldade – claro que as há – mas daí até instalar o país num estado de coitadite nacional vai um largo passo.

Já vivi muito confortavelmente e também de forma muito simples – “primitiva” até para alguns – e descobri que se pode ser muito feliz, e também muito infeliz, das duas maneiras. O conforto material tem muito menos a ver do que geralmente pensamos. A felicidade é sobretudo de uma capacidade e uma atitude.

Estudos recentes – deixem-me lá pôr o carimbo científico para a credibilidade – demonstram que o grau de felicidade ou de satisfação habitual de um indivíduo acaba por voltar mesmo após acontecimentos muito bons ou muito maus. Por isso, a menos que transformemos a nossa forma de apreciar a vida, mais dinheiro ou menos dinheiro poderá não fazer grande diferença.

Quanto mais permanecermos no momento presente mais a beleza da vida nos encantará. O que estraga o prazer de cada momento é, muitas vezes, a comparação com momentos anteriores, a projeção de momentos futuros. É possível desfrutar, a custo zero, do ar matinal, do fulgor do outono, da prata cintilante do rio, do simples prazer de caminhar e estar vivo. Felizmente nem a Troika, nem absolutamente ninguém, nos pode impedir de nos extasiarmos com o perfume da maresia, nem de viver de forma plena cada instante.

O IVA da meditação não subiu e continua a custar zero cêntimos sentar-se para mergulhar numa quietude que, ao contrário do que às vezes se pensa, não é uma espécie de imobilismo inerte mas um entusiasmo vibrante e apaixonado, completamente permeado de ternura.

Se a nossa presença no aqui e agora ainda é intermitente e hesitante – certamente o caso da grande maioria de nós – é ainda muito mais importante termos um objetivo de vida e, de preferência, que não seja apenas ter casa, carro ou estuto social. Em caso de crise – seja ela financeira ou humana – os objetivos materiais são sempre uma grande desilusão.

Muito mais gratificante é a certeza de que o que fazemos na vida é útil aos outros e mais ainda se o fizermos de forma desinteressada. A felicidade que retiramos de fazermos algo por alguém não tem preço. Um sorriso, uma palavra doce, não custa um cêntimo e transmite o que há de mais valioso na existência.

A falência do sonho da opulência afinal pode não ser assim tão mau! Deixemos as troikas aos políticos e aproveitemos para rever as nossas prioridades e dar valor às coisas que mais contam e que, por natureza, são totalmente gratuitas. Aproveitar o momento presente, ser bondoso e sentir-se grato será sempre possível, com ou sem crise. Bom ano!

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