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O segredo da juventude eterna

O tempo passa. Sem contemplações. E, à medida que passa e que os anos se vão juntando, cada vez passa mais depressa. Num abrir e fechar de olhos chega o Verão, depois o Natal e assim que damos conta já é Verão outra vez.

Esta ronda incessante dos dias, das noites, dos fins-de-semana e dos dias úteis (tantas vezes completamente inúteis) vai acontecendo à nossa volta enquanto no espelho o nosso rosto mostra os sinais da erosão causada por esse caudal.

Não são por vezes tomados por uma espécie de vertigem quando se dão conta de que mais um ano passou?
Os mestres do passado, por cá, construíam capelas dos ossos, no Oriente, meditavam junto aos cemitérios para serem recordados, constantemente da passagem do tempo. Nós não precisamos de coisas tão tétricas: basta-nos folhear álbuns de fotografias antigas!

Esta é a realidade de que todos se apercebem, aquela de que falam, de forma mais ou menos poética ou mais ou menos pimba, poetas, fadistas, cançonetistas e outros bardos. E, se não conhecermos outra, é natural que por vezes tenhamos o sonho utópico de aspirar à juventude eterna.

Mas o engraçado é que essa eterna frescura da juventude realmente existe. Existe na quietude do momento presente, na nossa presença atenta e panorâmica no espaço da qual se desenrola o espectáculo cativante das nossas perceções. Pare um pouco para sentir: aquilo que dentro de si observou os jogos de criança, as crises de adolescência, a loucura dos vinte, as experiências dos trinta, a maturidade dos quarenta… tem idade? Tem alguma ruga?

Em certas memórias mais nítidas da minha infância mora claramente este mesmo olhar que por detrás dos meus olhos continua a ver o mundo. Decerto o meu corpo era mais pequeno, a minha experiência mais reduzida, mas a presença – apenas ela – despida de avaliações, de comparações e outros artifícios era tão panorâmica, tão espaçosa e fresca como a de aqui e agora.

As experiências acumulam-se, o corpo cansa-se, os cabelos branqueiam mas, apesar disso, é frequente ouvirmos as pessoas dizerem “Não tenho a impressão de ter a idade que tenho!”. Com toda a razão. É que, sentada na beira desta auto-estrada concorrida por onde se escoam os dias e os anos contabilizados, a nossa presença espaçosa está para além do tempo. A juventude eterna? Sim, e sem segredos.

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