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O sentido da vida

Tudo começou há muitos anos atrás, na primeira aula de filosofia – tinha eu quinze anos. Entre as várias definições que atirámos, com a confiança inerente aos teenagers, surgiu aquela que mudou a minha vida: filosofia é uma reflexão sobre questões como o sentido da vida…

As palavras “sentido da vida” explodiram dentro de mim. Descobri repentinamente que era o que eu sempre tinha querido saber – não sei bem o que era “sempre”, dada a minha jovem idade…

A partir daí tudo foi diferente. Durante os anos seguintes não parei de procurar uma resposta. Li a Bíblia, Jean-Paul Sartre e outros existencialistas, Jung, Kant, Virgílio Ferreira e o – então muito na moda – Desmond Morris… Procurei mitologias, antropologias, sociologias e tudo o que consegui encontrar. Mas, quanto mais lia e procurava, mais o buraco existencial virava cratera. Nada parecia fazer sentido, tudo ficava muito aquém. E, dentro de mim algo insistentemente recusava que a vida se resumisse a comer, dormir, trabalhar e reproduzir-se.

A solução chegou antes do budismo e, provavelmente, abriu caminho para ele. Inesperadamente, não veio da cabeça mas sim do coração. Se, como eu, esta questão o atormenta, saiba que pouco importa a forma, o argumento ou o pretexto que vai fazer a magia: é simplesmente preciso desligar a cabeça e ligar o coração.

Aquilo que a cabeça não discorre o coração sabe. Sabe que a nossa existência humana não faz sentido sem os outros e que nada do que fazemos, por muito interessante que seja, nos deixa preenchidos se não for útil para alguém. Sabe que aquilo que não fazemos por nós, seja preparar uma refeição ou enfrentar um grande perigo, fazemo-lo com entusiasmo e sem esforço pelos outros. Sabe que a nossa verdadeira força não vem da vontade nem do medo mas sim do amor.

A cabeça está cheia de ideias que espartilham, comparam e fatiam as coisas. Da realidade ficam pequenos pedacinhos, migalhas de grandeza que não chegam para nada. Mas, quando o coração liga os motores, somos imersos na energia fabulosa, na ternura avassaladora por ele geradas. Então, como por milagre, a angústia existencial desaparece, a pergunta desvanece-se e o sentido da vida revela-se.

(continua…)

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