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Façam o que puderem!

Nkosi Johnson, um garoto sul africano que nasceu com SIDA e morreu aos 12 anos foi um defensor das crianças com SIDA. Ele disse: “Façam o que puderem com o que tiverem, no tempo que vos for dado e no sítio onde estão”.

Ora nós, na grande maioria dos momentos estamos adormecidos, desligados, mergulhados em pensamentos e conflitos internos, alheios ao que se passa à nossa volta.  No entanto, se nos perguntassem o que gostaríamos de fazer para tornar este mundo num local melhor, decerto pensaríamos em coisas grandiosas como acabar com a fome ou com a guerra, descobrir a cura para o cancro ou para a SIDA.

Nada menos que esses atos grandiosos nos parecem valer a pena. Temos tendência para menosprezar o poder das pequenas ações: poupar a vida a uma formiga, indicar o caminho a alguém, oferecer um sorriso a um desconhecido, preparar uma refeição, ouvir atentamente e sem interromper…  aquilo que nos parece a nós um ato ínfimo, pode fazer toda a diferença na vida de alguém.

Procurando bem na nossa memória podemos até descobrir um momento em que um pequeno gesto prestável que alguém teve para connosco aliviou a dor, ajudou a tomar a decisão certa ou influenciou decisivamente o nosso estado de espírito.

Um amigo contou-me a seguinte história: um dia ele ia a pé de casa para o local onde estava a decorrer um ciclo de ensinamentos budistas havia já alguns dias. Por ele passou um automóvel conduzido por um senhor que ele já vira em sessões anteriores e, embora nunca lhe tivesse dirigido a palavra, acenou-lhe e fez-lhe um sorriso.

No dia seguinte o senhor veio ter com ele na tenda dos ensinamentos. “Venho agradecer-lhe”, disse ele pegando-lhe nas mãos com efusão. “Agradecer? Mas o quê?”, perguntou o meu amigo com surpresa. “Aquele sorriso de ontem. Sabe, tinha acabado de receber uma péssima notícia e tinha até vontade de acabar com a vida. Mas o seu sorriso fez-me mudar de ideias. Não imagina como lhe estou grato!”

Hoje é o primeiro dia do ano da Serpente, de acordo com o calendário tibetano. Para que o ano que começa hoje seja melhor que o ano que acabou ontem, uma boa resolução seria cultivar as pequenas atenções bondosas e seguir o conselho do Nkosi Johnson: fazer o que podemos com o que temos, no tempo de que dispomos e no sítio onde estamos. Bom ano da serpente!

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