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O barulho assustador do vento

Se venceres o teu apego ao ego hoje durante o dia, à noite serás Buda. Se o venceres amanhã, amanhã à noite serás Buda. Se nunca o venceres nunca serás Buda. E, no entanto, o “EU” é apenas um conceito.

Os pensamentos não têm qualquer solidez, corpo, forma, ou cor. Quando um pensamento de cólera surge no espírito com tal intensidade que te sentes cheio de raiva e capaz dos piores atos, será que a cólera te está a apontar uma arma? Estará ela a atacar-te com um exército? Poderá ela queimar objetos como o fogo, esmagá-los como um rochedo, ou arrastá-los como a corrente de um rio violento? Não, pois não?

A cólera, como aliás qualquer outro sentimento, não existe verdadeiramente e não pode ser encontrada em qualquer local do corpo, da palavra ou do espírito. É apenas como o barulho assustador do vento assobiando no espaço.

Em vez de deixares que os pensamentos descontrolados te escravizem, toma consciência da sua natureza vazia. Se subjugares a cólera dentro de ti, vais descobrir que não resta um único inimigo exterior.

Senão, mesmo que pudesses subjugar todas as pessoas do mundo, a cólera não faria senão crescer. Ceder à cólera não a fará desaparecer. Na realidade ela é o teu único inimigo.

Investiga a natureza da cólera: vais descobrir que é apenas um pensamento. E quando a vires como ela é, ela dissolver-se-á como uma nuvem no céu.

Dilgo Khyentsé Rinpoche

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