You are currently viewing O que é o altruísmo?

O que é o altruísmo?

Devido à noção errada de altruísmo como a negação dos nossos interesses, temos a impressão que o altruísmo é apenas opcional, apesar de ser politicamente correto, positivo e admirável. Muitos de nós consideram o altruísmo uma atitude de “boa vontade”, apropriada para seres destituídos de ambição material, vocacionados para o bem dos outros, mas contraproducente para os seres comuns que, na vida quotidiana, têm de ganhar a vida, educar os filhos, pagar as mensalidades da casa, etc.

A atitude altruísta defendida pelo Budismo é essencialmente a de um alargamento de visão. Em vez de pensarmos “eu”, pensamos “todos nós”: “Eu quero ser feliz e não quero sofrer”, transforma-se em “Todos queremos ser felizes e não queremos sofrer”; ou “Eu quero ser bem tratado” em “Todos queremos ser bem tratados”; ou ainda “Quero que os meus interesses sejam respeitados” em “Todos queremos que os nossos interesses sejam respeitados”, etc.

Nem sempre estamos cientes de que esta atitude, por ser realista e pragmática, nos simplifica a vida em vez de a complicar, tornando-a mais fácil e muito menos conflituosa. Pode parecer paradoxal, mas o altruísmo é, em primeiro lugar, bom para nós próprios: o facto de desejarmos o bem dos seres, pode não lhes trazer qualquer benefício mas, seguramente, faz-nos sentir muito melhor.

Alguns pensam que ser altruísta é uma atitude impossível no mundo atual, bem como, se formos boas pessoas haverá imediatamente quem se aproveite disso. É possível. Mas o altruísmo não deve fazer de nós presas fáceis para pessoas mal-intencionadas. Esta atitude não é ingénua. Desejar o bem dos outros não é incompatível com discernimento, bom senso e lucidez. Sentir empatia para com os seres humanos não nos impede de ser prudentes nem de exigir que nos tratem com justeza e respeito. A diferença está no modo e nas razões por que o fazemos. Como diz o Dalai Lama com o seu humor bem característico: “Todos temos a natureza de Buda mas é melhor fechar a sua porta à chave”.

Deixe uma resposta