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Não é o único a sofrer

O sofrimento pode centrar-nos mais sobre nós próprios do que habitualmente, levando-nos a considerar a nossa situação mais desesperada do que realmente é. Na verdade, por muito terrível que seja, não é comparável com o que poderia ser.

Temos tendência para nos compararmos com aqueles que estão em melhor situação ou para recordarmos bons momentos em que tudo corria bem, todavia não podemos olvidar as pessoas em situações muito piores que a nossa ou outros momentos em que estávamos infelizes. Se não nos fecharmos obstinadamente em nós e ficarmos à escuta dos outros, veremos que existem milhares de histórias bem mais terríveis que a nossa. Podemos ficar gratos por aquilo que temos, por a nossa situação não ser tão aterradora como a de muitas outras pessoas.

Uma forma eficaz de contrariarmos esta propensão foi-me dada por uma senhora que veio assistir a um dos meus workshops. No final, ela partilhou connosco um dos seus “truques”. Contou que, quando se colocava a pergunta “Porquê eu? Porquê a mim?”, mudava imediatamente o registo e pensava: “Porque não eu? Porque não a mim?”.

Esta permuta permite-nos passar de uma atitude pesada e centrada em nós para uma mais aberta e abrangente. Quando pensamos “Porquê eu?” estamos a assumir que, de alguma forma, era suposto recebermos um tratamento diferenciado e que não é normal que sejamos tratados como qualquer outra pessoa. Evidentemente, este pressuposto está escondido e, provavelmente, nem temos consciência dele.

Por outro lado, quando invertemos a pergunta e refletimos “Porque não eu?” abrimo-nos à constatação de que há inúmeras pessoas a sofrer, exatamente iguais a nós, e não há qualquer razão para que sejamos poupados. Parece uma coisa muito óbvia e simples mas o seu efeito é poderoso.

Excerto do livro O Hábito da Felicidade

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