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Seremos naturalmente bons?

É provável que se interrogue se o Budismo terá razão quando afirma que o ser humano é naturalmente bom. Não é preciso muito: basta ligar a televisão à hora das notícias para ficarmos com sérias dúvidas! Porém, se tivemos a sorte de atravessar alguma experiência em que o ego perdeu densidade, deixamos de duvidar.

Medo, depressão, apego e todas as emoções que nos habitualmente dilaceram, somem como por encanto, deixando-nos face a face com a beleza indescritível da nossa natureza.

Em grau maior ou menor, toda a experiência em que o ego perde densidade, aproxima-nos da nossa natureza fundamental e, de imediato, a empatia, a ternura e a compaixão manifestam-se sem esforço. É por isso que, mesmo quem não tem qualquer treino espiritual, pode, naturalmente, dar sentido e transformar o seu sofrimento quando se abre aos outros e sente empatia. 

É comum pessoas, em situações desesperadas, descobrirem forma de as enfrentar, aderindo a um objetivo que as ultrapassa. Por isso, os desconhecidos, que em tempo normal se mirariam com desconfiança, em catástrofes naturais, acidentes ou guerras entreajudam-se: a barreira do ego cai e com ela os conceitos que sustentam o sentimento de separação. Agora, o outro é reconhecido como igual e a empatia surge sem esforço.

Quando cremos que chegámos ao limite das nossas forças, parece-nos estranho ter ainda de auxiliar os outros. Do ponto de vista do ego, se não temos energia para nós próprios, como poderemos ajudar outra pessoa? Porém, se a barreira do ego desabar, temos acesso a um manancial de energia que não imaginávamos possuir. Não é raro que isto aconteça e que pessoas saiam do impasse em que vivem, esquecendo-se de si, em prol dos outros.

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