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Nada nos pode privar da nossa natureza cristalina

Apesar do ego se ter infiltrado na nossa experiência do mundo até níveis fundamentais, e por mais espesso que seja, ele não tem o poder de erradicar, nem mesmo de minimamente estragar a Natureza de Buda. É por isso que, em alguns ensinamentos do Budismo tibetano, se fala dela comparando-a a um diamante (vajra), algo de indestrutível e inalterável e que mesmo coberto de lama ou de excrementos, nunca perde a transparência. Basta limpá-lo para que o seu brilho nos deslumbre.

Portanto, por baixo mesmo do ego mais monstruoso e perverso, está uma Natureza de Buda perfeita e transparente. Em muitos ensinamentos ela é também comparada ao céu, luminoso, vasto e aberto, enquanto os pensamentos, as emoções e o ego são apenas nuvens passageiras.
O exemplo é excelente porque permite-nos compreender que há vários graus de nebulosidade. Dias há em que nuvens cinzentas escuras parecem pesar por cima das nossas cabeças e outros em que há espaços por entre os quais vemos o céu. E depois, também há os dias em que o céu está imaculado. Connosco passa-se o mesmo. De pessoa para pessoa e de momento para momento, a nebulosidade varia. O céu não.
Quando, na meditação, os pensamentos e outras ocorrências mentais se aquietam, à semelhança da água barrenta que é deixada a repousar, a transparência natural do espírito torna-se evidente. A Natureza de Buda é a expressão das qualidades do nosso espírito no seu estado natural, quando não está “alterado” pelas crispações inerentes à cólera, ao apego, à inveja e ao orgulho, nem mesmo pelo subtil filtro da ignorância. Tal como nada pode roubar à água a sua natureza transparente – porque tudo o que a turva lhe pode ser retirado – nada pode retirar ao espírito a sua natureza cristalina.

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