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A culpa é sempre dos outros

Se pensar em todos os conflitos e problemas relacionais da sua vida é provável que, numa grande percentagem, os atribua às atitudes erradas dos outros. Quando estamos sob o domínio do ego não nos conseguimos enxergar. Por isso, se conseguir admitir que tenha também alguma responsabilidade, é sinal de que começa a ganhar consciência.

Segundo os ensinamentos budistas, o nosso único inimigo é o ego. Alguns deles, mais diretos e radicais, podem mesmo deixar-nos indispostos e com vontade de contestar. “Não é bem assim! Não posso ser culpado de tudo! Então e os outros não têm ego?” Claro que têm! O problema é exatamente esse: eles têm, nós temos, pelo que o conflito é quase inevitável.

Quando deslocamos a responsabilidade do que nos acontece dos outros ou das circunstâncias para nós, não estamos a querer dizer que não existam adversidades nem que os outros sejam incapazes de cometer erros. Estamos simplesmente a reconhecer que mudar o mundo é impossível, mas mudarmo-nos a nós já não.

É muito frequente nos conflitos entre casais, por exemplo, cada um estar convencido que, bastaria o outro mudar, para que tudo se resolvesse. “Se ele fosse um pouco mais atento… Se ela fosse mais afetuosa…”. É curioso como raramente pensamos: “Vou ser mais atento; Vou ser mais carinhosa”. Quanto mais dominados formos pelo ego, mais partiremos sempre do princípio de que temos razão e são os outros que têm de mudar. Por vezes, admitimos que poderíamos fazer um esforço. Mas logo acrescentamos: “Sim estou disposta a mudar mas, para isso, ele tem de me dar mais atenção!”

Reconhecer o ego dos outros é facílimo, mas reconhecer o nosso é custoso. Não se esqueça que o ego é cegueira de uma ponta à outra e, por conseguinte, não se pode deixar desmascarar. Vê-lo é reduzi-lo à impotência. A consciência é o seu pior inimigo.

This Post Has 2 Comments

    1. graça

      Bom dia Tsering.
      Como sempre, gosto imenso dos seus artigos. De certa forma, partilho da linguagem simples e acessível que utiliza . A forma como vê a “realidade” , faz muito sentido para mim.
      Um muito obrigado

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