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O sentido da vida

O sentido da vida não pode ser avaliado apenas em termos temporais em função do desenrolar dos acontecimentos. A vida é também um conjunto de momentos dentro dos quais está contido um sentido profundo.

Quando, num dia de grande calor e após uma caminhada o sol, chegamos a uma sombra amena, debaixo de árvores frondosas e junto de uma fonte de água fresca, sentamo-nos e suspiramos. Sentimo-nos bem, sem precisarmos de pensar no que aconteceu ou vai acontecer. Não nos questionamos se a caminhada foi útil, se voltaremos a fazê-la, ou se amanhã faremos algo diferente. Aquele instante tem uma plenitude muito própria, uma magia interna que não necessita do tempo convencional para existir. Não é só por virmos de algures e nos dirigirmos para algum sítio que a vida tem sentido. A vida também tem sentido porque cada instante não é uma parcela, mas uma plenitude.

Em momentos privilegiados entramos em contacto com esse “aqui e agora”, e descobrimos a magia do presente. São instantes em que intuímos que a vida pode ser uma celebração constante, independente de quaisquer circunstâncias ou condições externas. Quando o nosso coração se abre e o nosso intelecto se aquieta, o canto de um pássaro, a delicadeza de uma flor, a exuberância de um pôr-do-sol têm uma magnificência que nos enternece, e à qual, de bom grado, nos rendemos.

Por vezes, é em situações extremas que esta beleza se torna visível aos nossos olhos. Depois de um grande perigo, no meio de uma situação dolorosa ou mesmo na iminência da morte, quando finalmente abrimos mão e deixamos de lutar. Todavia, também podemos aprender a estar atentos à beleza a cada instante que passa, mesmo quando não estamos em perigo de vida. Infelizmente esta tomada de consciência não acontece num espírito atormentado. É necessária relaxação e abertura para que o espírito possa sentir a sua verdadeira vastidão.

This Post Has 3 Comments

  1. mindelo

    Bem verdade. Muitas vezes o acesso ao belo: seja um simples canto de um pássaro, uma pintura ou uma sinfonia, com quantas vezes nos cruzamos é perfeitamente imperceptível porque estamos ” noutra vibração mais alienante ou tempestuosa”. Muitas vezes é um safanão da vida que nos leva a valorizar a beleza das coisas simples ou mais elaboradas. que seja! Nada mau se a sementinha ficar…
    dévoiler o sentido da vida é já tarefa de “podador” que tem que podar a árvore sem lhe cortar a veia central senão seca…mesmo que a raíz seja profunda pelo que exige observação, estudo, paciência, calma e concentração…. Que Escalada, Tsering!

    Em elo, em cadeia… consigo. Grata por esta partilha.

  2. fernanda brito

    Palavras que nos prendem para a reflexão, complementando o bem estar no existir…
    Bem haja

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