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A atenção

Quando não estamos conscientes dos nossos atos, palavras e pensamentos é difícil criar espaço para os podermos observar. Este tipo de atenção é algo muito aberto que nada tem a ver com o controlo: as pessoas muito controladas estão sempre a medir e a avaliar os seus comportamentos para não caírem em excessos ou não mostrarem fraquezas. Mas não é a este tipo de atenção que me refiro.

A atenção que temos de desenvolver resulta de uma atitude espaçosa de plena consciência e não de uma vigilância paranóica e controladora. Não se trata de avaliarmos os nossos comportamentos, de nos punirmos ou de ficarmos com sentimentos de culpa. A atenção correta é uma simples observação daquilo que se está a passar connosco e à nossa volta. Não é um estado de julgamento, mas um estado de plena consciência que tem quatro principais focos: a atenção ao corpo, a atenção aos sentimentos, a atenção aos estados de espírito e a atenção ao que nos rodeia.

A atenção ao corpo consiste em atentar no nosso corpo, à sua postura, às sensações físicas e também aos atos que realizamos. Observar o que se está a passar a nível físico e corrigir – se for caso disso – mas sem julgamento. O Yoga, o Tai-chi, o Chi-kung, a meditação em andamento ou outros exercícios físicos meditativos são excelentes para treinar este tipo de atenção a qual poderemos exercitar enquanto realizamos qualquer tarefa como pôr a roupa a lavar, preparar o jantar, aspirar a casa ou conduzir.

A atenção aos sentimentos permite-nos estar conscientes dos sentimentos de atração, repulsa ou indiferença que surgem em nós. Na ausência deste tipo de atenção, cultivamos, sem dar por isso, sentimentos que só nos trazem dissabores. Por exemplo, um simples desconforto poderá crescer e tornar-se impaciência, irritação e, por fim, uma explosão de cólera, com todas as consequências internas e externas que isso acarreta, simplesmente, porque não nos apercebemos do processo e não o desmontámos a tempo.

A atenção aos estados de espírito possibilita-nos ter consciência da nossa atitude mental a cada momento. Quando estamos conscientes dela, distanciamo-nos automaticamente e não nos envolvemos com tanta facilidade. Um estado de espírito é sempre apenas temporário, passível de mudar com a maior das facilidades desde que não nos agarremos a ele.

Finalmente, a atenção ao que se está passar à nossa volta faculta-nos estarmos plenamente presentes. Quando conversamos com uma pessoa, participamos numa reunião ou estamos em família, não estamos semi-ausentes, perdidos nos pensamentos, mergulhados no telefone e nas mensagens. A atenção ao que nos rodeia permite-nos usufruir dos pequenos detalhes que, habitualmente nos escapam e são essenciais para viver plenamente.

This Post Has 2 Comments

  1. artur

    Olá, cara Tsering Paldron…

    Obrigado pelo seu email, o qual me parece ser bastante interessante e oportuno.

    Concordo razoavelmente com o seu texto, mas parece-me que estar perfeitamente atento,
    é de facto estar autenticamente controlado ou disciplinado.

    Entretanto, tenho um amigo que é aplicado estudante de budismo lamaista tibetano, que a tem na mais elevada estima, mas que se “aborreceu” comigo, porque questionei, a perfeição ética e moral, da dinastia “teocrática” tibetana antes da ocupação chinesa e por o actual dalai-lama ter afirmado perante determinados jornalistas, que se considera simpatizante das teses marxistas.

    Um abraço
    artur

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