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A atitude interior

Uma conhecida história tibetana conta que, um dia, um viajante que passava, a pé, numa estrada no Tibete, encontrou uma pequena figura de Buda caída no chão. Com imenso respeito, pegou nela, limpou-lhe o pó, pô-la em cima de uma pedra e procurou à volta algo com que protegê-la. A única coisa que encontrou foi uma velha sola de sapato esburacada que algum outro viajante deixara para trás. Pensando que poderia proteger a imagem da chuva, colocou-a por cima e, fazendo uma oração, continuou o seu caminho.

Umas horas depois, um outro viajante passando pelo mesmo sítio viu a imagem debaixo da sola do sapato e pensou: “Que horror! Uma sola de sapato por cima da imagem do Buda!”. E apressou-se a tirá-la.

A moral da história é que ambas as ações são positivas – embora sejam exatamente o contrário uma da outra – porque ambas têm uma intenção positiva.

É frequente as pessoas pensarem que conselhos budistas como, por exemplo, o de Langri Thangpa de dar a vitória aos outros e tomar sobre si a derrota, se referem a uma conduta a ter, nesta ou naquela situação. Ficam então confusas e colocam mil e uma questões: E no caso da última guerra? E se for atacado na rua? E se alguém me ameaçar com uma arma?

Mas este tipo de conselhos mostra-nos a atitude interior a desenvolver e não a conduta externa. Tal como no exemplo da figura de Buda, a atitude interior é o respeito mas a forma de o exteriorizar pode manifestar-se em atos muito diferentes e até opostos.

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