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A linha da felicidade

Cada um de nós tem uma capacidade x de ser feliz que é muito menos função das situações exteriores do que aquilo que geralmente supomos. Obviamente, um acontecimento positivo dá-nos um sentimento temporário de entusiasmo e um revés leva-nos a um período de desalento mas, mais tarde ou mais cedo, a nossa sensação de bem-estar geral tende a voltar ao normal.

Este princípio opera na nossa vida de todos os dias, quer seja em pequenos incidentes do quotidiano, quer seja em grandes acontecimentos. Um aumento, um carro novo, um sucesso profissional deixam-nos momentaneamente de bom humor, mas depressa voltamos ao nível de felicidade que nos é habitual. Do mesmo modo, uma discussão, uma avaria no carro, ou qualquer percalço indispõem-nos, mas ao fim de umas horas ou dias, esquecemo-nos.

O mesmo ocorre em situações extremas de sucesso ou de crise. Estudos feitos sobre os vencedores da lotaria demonstraram que a excitação inicial foi decrescendo e que, ao fim de algum tempo, as pessoas voltaram ao grau normal de felicidade. Outros ensaios demonstraram que aquelas que atravessaram situações de crise tais como uma doença grave, cegueira ou paralisia reencontraram praticamente o mesmo grau de felicidade após um período de adaptação.

Portanto, se temos tendência para voltar ao nosso grau de felicidade habitual quaisquer que sejam as circunstâncias, o que determina o nível de felicidade e, sobretudo, poderá esse nível ser alterado para um mais elevado?

Lembro-me de ter talvez dezasseis ou dezassete anos quando tive a nítida consciência de que ser feliz era uma capacidade que eu não tinha. Percebia que, embora não me faltasse nada de essencial, estava constantemente a arranjar razões para me sentir mal. Pensei então que ser feliz era uma capacidade inata que uns tinham e outros não.

Felizmente para mim, encontrei o budismo pouco tempo depois e nunca mais pensei no assunto. Segui o treino budista sem ter a felicidade como objetivo explícito e por isso fui-me transformando sem me dar conta. Só agora, várias décadas depois, me apercebo de como a minha linha da felicidade se modificou. Por isso, tenho a prova de que essa capacidade, podendo de facto ser inata, é igualmente suscetível de ser desenvolvida e trabalhada.

Se também sente que não tem jeito para ser feliz, saiba que pode mudar esse estado de espírito e aprender a viver de forma muito mais plena e satisfatória porque, acima de tudo, a felicidade é um hábito.

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