Emoções cultivadas

Emoções cultivadas

Os mais recentes estudos sobre a relação entre o corpo e o espírito revelam coisas que já tínhamos podido constatar pela experiência mas que agora se precisaram. Estabeleceu-se uma correspondência clara entre a atividade das regiões frontais esquerdas do cérebro e os sentimentos da alegria e entusiasmo e a actividade das regiões frontais direitas e sentimentos de tristeza e depressão. Estabeleceu-se também uma correspondência clara entre estes últimos e estados físicos predispondo para certas doenças.

Assim, as emoções negativas enfraquecem o sistema imunitário, pioram os sintomas e dificultam a recuperação. A cólera e o ódio geram revolta, agressividade e descrença na humanidade. A depressão leva à auto-comiseração, à tristeza e à falta de sentido da vida. O stress deixa-nos tensos e produz agitação e incapacidade para gerir as situações. A importância excessiva que damos à nossa situação centra-nos sobre nós mesmos e torna insuportável qualquer contratempo ou inconveniente. Todos estes estados mergulham-nos em pensamentos destrutivos e são causadores de sofrimento e agravamento dos sintomas físicos.

Se nos deixarmos invadir por sentimentos deste tipo na vida corrente e quando somos confrontados com situações adversas, será difícil encontrar um sentido e gerir a situação de forma positiva. O sofrimento resultante afecta-nos a nós e transborda para os outros inevitavelmente.

Ao inverso, as emoções positivas têm um efeito terapêutico e aumentam a imunidade. A serenidade facilita a relaxação. Se formos optimistas encontraremos uma explicação positiva para os acontecimentos da vida e teremos confiança na nossa capacidade para gerir as situações. A cordialidade mantém-nos em relação com os outros e permite-nos ter uma perspectiva justa da nossa situação. O sentido de humor relativiza as coisas e faz de nós uma companhia agradável. A compaixão humaniza-nos e abre-nos ao sofrimento alheio. Sentirmo-nos úteis aos outros dá naturalmente sentido à nossa vida.

As emoções e os pensamentos negativos são selvagens e surgem sem esforço. Por estarmos habituados a eles, parecem naturais e há quem pense que são a nossa verdadeira natureza. Porém, todos queremos a felicidade e parece razoável dizer que a aspiração natural nos seres humanos deve estar em harmonia com a sua natureza. Assim, as emoções positivas estão mais próximas da nossa natureza do que as negativas que nascem do sofrimento e geram sofrimento.

Então a que se deve o facto destes sentimentos negativos surgirem de forma tão espontânea e violenta? É apenas o resultado do hábito. É fácil constatar como funcionam todos os hábitos, sejam eles fáceis ou difíceis de adquirir. A aquisição de um hábito requer apenas repetição. Quanto mais o repetirmos mais natural ele parecerá. Podemos chegar ao ponto em que esse gesto ou atitude se torna verdadeiramente automático e parece fazer parte da nossa natureza. Por outro lado a experiência prova que mesmo o hábito mais arreigado pode desaparecer e ser substituído por outro. É por essa razão que as emoções positivas, se não nascerem espontaneamente, têm de ser cultivadas e substituir as negativas.

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