É preciso ter mais compaixão

É preciso ter mais compaixão

A compaixão, sentimento central na prática do Budismo, é a pedra filosofal que nos permite transformar o ferro dos sentimentos conflituosos e egoístas no ouro do altruísmo, da paz e da alegria.

Mas a palavra, cuja raiz etimológica não reflete o sentido tibetano, também gera confusão no Ocidente ao ser associada a piedade, a “pena” que todos sentimos como sendo degradante para o seu objeto.

Porém, ambos os sentimentos começam com a nossa capacidade natural de empatia, ou seja, de sentir a dor do outro como sendo nossa. Mas, é em relação a essa dor que sentimos que podemos reagir de várias formas.

Se tivermos uma grande aversão ao sofrimento, sentimos a dor alheia como algo de profundamente indesejado. Conforme as pessoas e os casos, blindamo-nos contra ela, tentamos ignorá-la ou rejeitamo-la com violência.

A indiferença com que uma parte da nossa sociedade reage ao sofrimento de seres humanos ou animais não é real. É apenas a reação epidérmica à sua incapacidade de lidar com o sofrimento, seja o seu ou o dos outros. Não é que as pessoas não sintam nada, é exatamente porque sentem mas não querem sentir, não querem ser incomodadas e preferem ignorar.

Na realidade fazem o mesmo com o seu próprio sofrimento e é por isso que se tentam distrair, alienar e entorpecer. Mas, se ignorar o seu próprio sofrimento é difícil, ignorar o dos outros é, porventura, mais fácil. Por isso evitamos frequentar os locais onde ele está patente, as pessoas e os espetáculos que no-lo fazem sentir.

Para podermos sentir compaixão temos de ir perdendo o medo de sofrer. Temos de nos erguer com dignidade e parar de fugir com o rabo à seringa. Abrir os olhos e aceitar o que dói, o que morde, o que cheira mal. O que nos deixa rasgados por dentro, incrédulos, dolentes. Abrir o coração à vida que é, por natureza, agridoce e tornarmo-nos, simultaneamente, mais aguerridos e mais vulneráveis.

Por isso, este ano do Macaco (que começou no dia 9), começou, para mim, com a intenção de ter a coragem de ver, ouvir e sentir a dor que sempre procurei ignorar, minha e dos outros e de dedicar este ano à compaixão!

This Post Has One Comment

  1. paula

    Boa.Abraçao

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