O que é a meditação

Os pensamentos determinam o nosso estado de espírito e a forma como nos sentimos habitualmente determina o grau de felicidade que experimentamos. Claro que as pessoas e as situações têm impacto mas, acima de tudo, é o nosso estado mental que mais conta. Por essa razão é tão importante treinar a mente e cultivar emoções positivas.

A meditação permite-nos alcançar estes dois objetivos e é esse o propósito deste programa: criar deliberadamente hábitos de sentimentos positivos, propiciadores de bem-estar, alegria e felicidade.

Tudo começa com a meditação. Meditar é treinarmo-nos a deslocar a nossa atenção do pensamento para algo que esteja a ocorrer aqui e agora.

Meditação na respiração

Uma das técnicas mais usadas é a observação da própria respiração. Mas observar não é comentar: “Será que estou a respirar bem?”; Observar é pousar a atenção, ficar plenamente consciente, sentir a respiração. Obviamente, os pensamentos interrompem-nos, constantemente, e, pela força do hábito, vamos atrás deles. Sempre que dermos conta disso voltamos ao objeto da nossa observação. A meditação não é uma luta contra os pensamentos e trazermos a atenção de volta não é um braço de ferro. Imagine que, de repente, se apercebe que anda pela casa com uma mochila pesada às costas. Não precisa de lutar contra ela: basta pousá-la. Quando traz a atenção de volta faz algo semelhante: abre mão do pensamento e relaxa.

Meditação nos sons

Uma das técnicas de meditação foca-se nos sons. Algumas pessoas sentem-se particularmente à vontade com ela. O princípio é sempre o mesmo: pousamos a atenção no objeto da concentração – neste caso os sons – sem analisarmos nem conceptualizarmos. Com uma atenção relaxada e panorâmica. Quer os sons sejam agradáveis ou irritantes, altos ou baixos, conhecidos, intermitentes ou distantes, tentamos apenas ouvi-los como sons, sem os sobrecarregarmos imediatamente com o peso do reconhecimento. Assim, não ouvimos uma buzina, um pássaro ou uma porta a bater, tentamos ouvir sons, como se fosse a primeira vez que os ouvimos. 

O tipo de atenção panorâmica que pousamos no som, ou em qualquer outro objeto na verdade, está focada na experiência em si e não na sua identificação e concetualização. Por isso é tão libertador.

Meditação nas sensações

Uma técnica de meditação, muito usada, foca-se nas sensações. A forma clássica consiste em sentir, uma após a outra, diferentes partes do corpo. Não como representação mental da mão ou do pé, por exemplo, mas como o conjunto de sensações que lhe vêm dessa parte do corpo. Nesta versão, foram adicionados dois passos suplementares. Além de sentir cada parte do corpo, irá também contraí-la e relaxá-la, tentando permanecer focado apenas nas sensações.

Esta parte do exercício irá, não somente ajudar a reforçar a ligação mente/corpo mas também a relaxar e libertar algumas tensões físicas. 

No final do exercício, a sensação da presença do corpo poderá ser mais real e, ao mesmo tempo, mais leve do que no início do exercício. Poderá então observar as sensações muito mais de perto.

Meditação para começar o dia

Um dos conselhos que é dado no treino budista é o de cuidarmos da nossa intenção. Antes de fazermos seja o que for de importante, antes de tomarmos uma decisão, verificarmos a nossa motivação e modificarmo-la se nos apercebermos de que não é positiva. Assim, no início de cada dia, é importante estabelecermos uma intenção positiva. Pode ser assim que acorda, depois de ter lavado o rosto e os dentes, antes de tomar o pequeno-almoço ou depois.

Quando se habituar a este momento de avaliação, ele pode ocorrer de forma espontânea e quase instantânea, assim que abre os olhos, ou mesmo antes de os abrir. No entanto, para começar, pode combinar esta prática com a meditação sobre a respiração, os sons ou as sensações. Pode, por exemplo, concentrar-se 10 min, usando a técnica que preferir, e concluir com esta prática.

Meditação para terminar o dia

À noite, antes de dormir, é costume fazermos uma revisão do dia. Esta revisão não é um julgamento, mas uma simples avaliação. O objetivo não é repreendermo-nos. No decurso do dia pode ter havido inúmeros momentos em que, por falta de tempo ou de atenção, reagimos a partir dos nossos padrões habituais sem nos darmos conta. No final do dia, quando o rodopio das solicitações se acalmou, paramos para uma observação das nossas reações durante o dia e do estado de espírito resultante. Se ficamos contentes com algumas das nossas reações podemos congratular-nos e fazer votos para podermos continuar no mesmo sentido no dia seguinte. Se ficamos desagradados com outras reações, podemos pensar como poderíamos ter reagido de forma diferente e fazermos votos para podermos modificar os nossos comportamentos destrutivos, pouco a pouco.